
Assim como a noite mágica de Cinderella quase terminou à meia-noite, The Walt Disney Company enfrentou seu próprio momento da verdade em 1947 – afogada em uma dívida de US$ 4 milhões devido aos retornos decepcionantes de Pinóquio, Fantasia e Bambi. Esta princesa amada não apenas se salvou – ela resgatou o legado de animação da Disney de um colapso potencial.
A Hora Mais Escura Antes do Amanhecer
Enquanto celebramos o 75º aniversário de Cinderella desde sua estreia nos cinemas em 4 de março, os criativos da Disney refletem sobre como esta história de trapos à riqueza refletiu a própria jornada de Walt. Além da salvação corporativa, ofereceu exatamente o que o público do pós-guerra precisava – a prova de que os sonhos ainda podiam se realizar.
Redenção Através da Narrativa
Volte a 1937 – Branca de Neve e os Sete Anões não foi apenas um sucesso, financiou o estúdio da Disney em Burbank e estabeleceu a animação de longa-metragem. Contudo, filmes subsequentes como Pinóquio (apesar de dois Oscars) sangravam dinheiro, agravado pela interrupção da Segunda Guerra Mundial nos mercados europeus.
"A Disney realmente se tornou uma contratante de guerra", revela Eric Goldberg, aclamado animador por trás do Gênio de Aladdin. "O estúdio produziu filmes de treinamento e pacotes de compilação como Make Mine Music apenas para se manter à tona."
Até 1947, Walt enfrentou uma encruzilhada existencial. "Nós vamos em frente ou liquidamos", ele disse famosamente ao irmão Roy durante uma discussão acalorada. A aposta deles? Dobrar a aposta em Cinderella – um retorno estratégico à magia do conto de fadas de Branca de Neve.
A arquivista de arte Tori Cranner explica o momento cultural: "O pós-guerra americano ansiou por esperança. A história moral de Pinóquio não podia competir com a promessa de Cinderella de que a beleza surge das cinzas."
De Kansas City ao Castelo
A conexão de Walt com Cinderella é anterior ao seu famoso estúdio – seu curta Laugh-O-Gram de 1922 já reinterpretava a versão do século XVII de Charles Perrault. Esse empreendimento falido refletiu as lutas iniciais de Cinderella, solidificando o vínculo de Walt com sonhadores resilientes.
O filme de 1950 transformou a fada madrinha de Perrault em uma adorável e desajeitada vovó – um golpe de mestre do animador Milt Kahl. "Este calor tornou a magia acessível", observa Goldberg. Marc Davis e George Rowley então trabalharam arduamente em cada brilho pintado à mão na transformação do vestido – ainda considerado uma das maiores conquistas da animação.

O Momento do Sapatinho de Cristal
Goldberg enfatiza como a Disney redefiniu a agência de Cinderella: "Aquela cena do sapato quebrado? Pura invenção. Ela não apenas espera – ela produz o sapato correspondente, provando que ela conduz seu destino."
O estrondoso sucesso de bilheteria de US$ 7 milhões (de um orçamento de US$ 2,2 milhões) salvou a divisão de animação da Disney. Mais importante ainda, lançou a segunda era de ouro do estúdio – Peter Pan, A Bela Adormecida e 101 Dálmatas todos surgiram em seu rastro.
Ondulações Através do Tempo
Décadas depois, o DNA de Cinderella persiste – desde os castelos dos parques até a transformação de Elsa em Frozen. A animadora principal Becky Bresee confirma: "Nós referenciamos diretamente aqueles famosos brilhos para a mudança de vestido de Elsa."
Como Goldberg resume perfeitamente: "Cinderella não é sobre desejos passivos – é sobre esperança conquistada através da perseverança. É por isso que ainda ressoa depois de 75 anos."

Para explorar mais a era de ouro da animação da Disney, mergulhe nas carreiras dos Nove Homens Anciãos ou da artista visionária Mary Blair, cujos designs estilizados definiram a estética atemporal de Cinderella.